Indicador da qualidade é um número que mostra se um processo está entregando o que deveria. A ISO 9001 não traz uma lista de indicadores obrigatórios. Ela exige que a empresa decida o que medir, como, quando e o que fazer com o resultado. Por isso, quem está implantando quase sempre pergunta: quais indicadores usar? Este artigo traz exemplos por processo, com fórmula e frequência, e o caminho para escolher os seus.

O que a ISO 9001 pede sobre indicadores

Três pontos da norma tratam do tema:

A 9.1.3 lista o que os dados precisam permitir avaliar: conformidade de produtos e serviços, satisfação do cliente, desempenho e eficácia do sistema, se o planejamento foi implementado com eficácia, eficácia das ações sobre riscos e oportunidades, desempenho dos fornecedores e necessidade de melhorias. Um bom conjunto de indicadores cobre esses pontos. Veja a cláusula 9.1.3.

A ficha de cada indicador

Antes de medir, escreva a ficha. Ela evita que cada pessoa calcule de um jeito.

CampoO que preencher
NomeCurto e claro, como índice de refugo
ObjetivoPor que medir: acompanhar perdas na produção
FórmulaNumerador, denominador e unidade
Fonte dos dadosDe onde vem cada número: apontamento de produção, sistema de vendas, registro de inspeção
MetaValor a atingir, com base no histórico ou em requisito do cliente
FrequênciaDe coleta e de análise, que podem ser diferentes
ResponsávelUma pessoa, não um setor
Ação se fora da metaQuando abrir análise ou ação corretiva

O modelo de indicadores da qualidade traz essa ficha e as fórmulas em planilha.

Exemplos de indicadores por processo

As metas abaixo são apenas ilustrativas. A meta certa depende do histórico da sua empresa, do requisito do cliente e do setor.

ProcessoIndicadorFórmulaMeta ilustrativaFrequência
ComercialPrazo de resposta a orçamentosSoma dos dias entre pedido e envio do orçamento ÷ número de orçamentosAté 3 diasMensal
ComercialPedidos analisados antes do aceitePedidos com análise crítica registrada ÷ pedidos aceitos × 100100%Mensal
ProduçãoÍndice de refugoPeças refugadas ÷ peças produzidas × 100Até 1,5%Semanal
ProduçãoÍndice de retrabalhoPeças retrabalhadas ÷ peças produzidas × 100Até 2%Semanal
QualidadePPM de reclamaçãoPeças reclamadas pelo cliente ÷ peças entregues × 1.000.000Até 500 PPMMensal
LogísticaEntregas no prazoEntregas no prazo ÷ total de entregas × 10095%Mensal
ComprasLotes aprovados no recebimentoLotes aprovados ÷ lotes recebidos × 10098%Mensal
ComprasIQF médioMédia do índice de qualidade dos fornecedores críticos85 pontosTrimestral
ManutençãoPreventivas cumpridasPreventivas realizadas ÷ preventivas programadas × 10090%Mensal
ManutençãoTempo médio de reparo (MTTR)Horas de reparo ÷ número de quebrasAté 2 hMensal
Recursos humanosTreinamentos eficazesTreinamentos avaliados como eficazes ÷ treinamentos avaliados × 10090%Semestral
ClienteSatisfação do clienteSoma das notas ÷ número de respostas8 de 10Semestral
SistemaAções corretivas eficazesAções eficazes ÷ ações verificadas × 10090%Trimestral
SistemaAções concluídas no prazoAções concluídas até a data prevista ÷ ações com data prevista no período × 10085%Mensal

Para empresas de serviço ou de obra, a lógica é a mesma: troque peças por serviços, atendimentos ou unidades. Uma construtora pode medir serviços aprovados na primeira inspeção. Uma prestadora de serviço técnico pode medir chamados resolvidos na primeira visita.

A satisfação do cliente pode ser medida por pesquisa. O modelo de pesquisa de satisfação inclui o cálculo do NPS. O IQF é explicado em detalhe no guia de avaliação de fornecedores.

Como escolher os indicadores da sua empresa

Copiar a tabela acima inteira não é o caminho. Use-a como cardápio e escolha seguindo esta ordem:

  1. Parta dos objetivos da qualidade. Se um objetivo é reduzir reclamações, o PPM de reclamação ou o número de reclamações por mês entram na lista.
  2. Passe pelo mapa de processos. Para cada processo, pergunte qual é a saída principal e o que mostra se ela está boa. Esse é o primeiro indicador do processo.
  3. Confira a 9.1.3. Veja se o conjunto cobre conformidade do produto, satisfação do cliente, fornecedores, riscos e eficácia das ações. Se faltar algum ponto, acrescente.
  4. Verifique se o dado existe. Indicador que depende de um dado que ninguém registra não vai durar. Ou cria o registro, ou escolhe outro indicador.
  5. Defina dono e meta antes de começar a medir.

Indicadores de resultado, como reclamações, mostram o problema depois que ele aconteceu. Vale ter também alguns de processo, como preventivas cumpridas ou setups aprovados na primeira peça, que avisam antes.

Quantos indicadores ter

Poucos e usados. Comece pelos que medem a saída principal de cada processo. Cada objetivo da qualidade deve ter pelo menos um indicador, e cada indicador deve ter alguém que olha para ele e decide. Se um indicador nunca gerou nenhuma decisão em um ano, questione se ele precisa existir.

Exemplo ilustrativo: refugo e PPM em uma metalúrgica

Imagine uma metalúrgica fictícia de 40 funcionários. Em um mês ela produziu 12.000 peças e refugou 180.

Índice de refugo = 180 ÷ 12.000 × 100 = 1,5%. A meta definida pela empresa era 1,2%. O resultado ficou acima.

No mesmo mês, entregou 10.000 peças e o cliente reclamou de 25.

PPM de reclamação = 25 ÷ 10.000 × 1.000.000 = 2.500 PPM. A meta era 1.000 PPM.

Um mês ruim isolado não prova tendência. Mas, olhando os últimos seis meses, a empresa viu que o refugo vinha subindo desde a entrada de um novo fornecedor de chapa. Isso levou a uma análise de causa, a uma conversa com o fornecedor e a um reforço na inspeção de recebimento. Esse é o caminho que a norma espera: medir, analisar, decidir e agir.

Como analisar os resultados

No PrismaBiz, cada indicador tem meta, responsável e gráfico de tendência, e o resultado fora da meta gera alerta para quem acompanha. A página de indicadores e KPIs mostra como funciona.

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