Os 5 porquês são um método simples de análise de causa raiz: você pergunta por que o problema aconteceu e, para cada resposta, pergunta por que de novo, até chegar a uma causa que, eliminada, impede que o problema volte. O método é associado ao Sistema Toyota de Produção e hoje é usado em muitos setores porque não exige software, estatística nem treinamento longo. Exige disciplina para não parar cedo demais.

Quando usar os 5 porquês

Quando o problema tem várias causas que interagem, ou quando ninguém tem ideia de onde ele vem, comece pelo Ishikawa e use os 5 porquês depois.

Aspecto5 porquêsIshikawa
Melhor paraAprofundar uma cadeia de causaLevantar todas as causas possíveis
FormatoLista de perguntas e respostasDiagrama com categorias
TempoRápidoMais demorado
RiscoSeguir um caminho sóGerar lista longa sem aprofundar

Como fazer, passo a passo

1. Descreva o problema com fatos

O ponto de partida precisa ser concreto: o que aconteceu, onde, quando, quanto. Entrega atrasada é vago. Lote 4471 entregue ao cliente com dois dias de atraso em relação à data do pedido é concreto.

2. Pergunte por que e responda com fato

Cada resposta precisa ser verificável. Se a resposta for uma suposição, confirme antes de seguir: vá ao local, veja o registro, converse com quem fez. Uma resposta errada no segundo porquê leva a análise inteira para o lugar errado.

3. Repita até chegar a uma causa de sistema

O número cinco é uma referência, não uma regra. Às vezes três porquês bastam, às vezes são necessários mais. Pare quando a resposta apontar para algo que a empresa controla e que, se mudado, impede a repetição: um método, um critério, um controle que não existe ou não funciona.

4. Teste a cadeia de trás para frente

Leia do último porquê até o problema usando a palavra portanto. Se a leitura fizer sentido em todas as etapas, a cadeia está consistente. Se algum elo soar forçado, falta uma etapa ou a resposta está errada.

5. Defina a ação sobre a causa raiz

A ação corretiva atua no último porquê. Ações sobre os porquês intermediários costumam ser correções ou contenções. Elas são necessárias, mas não impedem a repetição.

Exemplo ilustrativo: entrega atrasada

Imagine uma metalúrgica fictícia de 40 funcionários. O lote 4471 foi entregue ao cliente principal com dois dias de atraso.

PerguntaResposta verificada
Por que o lote atrasou?A célula de solda ficou parada um dia e meio.
Por que a solda parou?Faltou arame de solda.
Por que faltou arame?O pedido de compra foi feito quando o estoque já tinha acabado.
Por que o pedido foi feito tarde?O estoque mínimo cadastrado no sistema não disparou o aviso a tempo.
Por que o aviso não disparou a tempo?O estoque mínimo foi definido quando o consumo era metade do atual e nunca foi revisado.

Causa raiz: não existe critério nem frequência para revisar o estoque mínimo dos itens críticos.

Teste de trás para frente: o estoque mínimo não foi revisado, portanto o aviso disparou tarde, portanto o pedido saiu tarde, portanto faltou arame, portanto a solda parou, portanto o lote atrasou. A cadeia se sustenta.

Correção: compra emergencial de arame e replanejamento da produção.

Ação corretiva: revisar o estoque mínimo de todos os itens críticos com base no consumo atual e definir revisão periódica, com responsável em compras.

Verificação de eficácia: nenhuma parada por falta de item crítico nos meses seguintes e registro das revisões de estoque mínimo feitas no prazo.

Note que a análise não parou em o comprador esqueceu. Mesmo que fosse verdade, a pergunta seguinte seria por que o processo dependia da memória de uma pessoa. O modelo de análise dos 5 porquês tem esse formato pronto para preencher.

Segundo exemplo ilustrativo: retorno em serviço técnico

O método funciona igual fora da fábrica. Imagine uma prestadora fictícia de manutenção de ar-condicionado com 30 funcionários. Em um mês, os técnicos precisaram voltar a vários clientes para refazer instalações que apresentaram vazamento de gás.

  1. Por que houve vazamento? As conexões de cobre estavam mal flangeadas.
  2. Por que estavam mal flangeadas? Os técnicos de uma das equipes usavam um flangeador antigo, com a matriz gasta.
  3. Por que usavam uma ferramenta gasta? Não havia verificação periódica do estado das ferramentas das maletas.
  4. Por que o vazamento não foi percebido na instalação? O teste de estanqueidade estava na instrução, mas não havia campo para registrar o resultado na ordem de serviço, e ele passou a ser pulado nos dias de agenda cheia.

Repare que as perguntas abriram as duas cadeias: a ocorrência (ferramenta sem verificação) e a não detecção (teste sem registro). As ações foram incluir as ferramentas das maletas em uma verificação mensal e acrescentar o resultado do teste de estanqueidade como campo obrigatório na ordem de serviço.

Duas cadeias: por que ocorreu e por que não foi detectado

Em problemas que chegaram ao cliente, faça duas análises. A primeira responde por que o problema aconteceu. A segunda, por que ele não foi detectado antes de sair da empresa. No caso de uma peça fora da medida, a ocorrência pode estar no desgaste de uma ferramenta, e a não detecção, em uma inspeção por amostragem com frequência inadequada. São duas causas e duas ações. Essa lógica é a mesma usada no relatório 8D, comum no setor automotivo.

Armadilhas mais comuns

Os 5 porquês na ISO 9001

A ISO 9001 não cita os 5 porquês. A cláusula 10.2 exige analisar a não conformidade, determinar suas causas e reter registro das ações. Os 5 porquês, registrados com as respostas, são uma evidência clara desse raciocínio. A mesma cláusula pede verificar se não conformidades similares existem ou podem ocorrer: no exemplo, isso significa revisar o estoque mínimo de todos os itens críticos, e não só do arame.

Para o fluxo completo, da contenção à verificação de eficácia, veja como tratar não conformidade e ação corretiva. Para organizar as ações com responsável e prazo, use o plano de ação 5W2H.

No PrismaBiz, a análise de causa fica registrada dentro da não conformidade, junto com as ações e a verificação de eficácia, o que evita perder o raciocínio em uma planilha separada.

O que o auditor costuma pedir