O diagrama de Ishikawa organiza as causas possíveis de um problema em categorias. O desenho lembra uma espinha de peixe: o problema fica na cabeça, e as causas, nas espinhas. Também é chamado de diagrama de causa e efeito e leva o nome de Kaoru Ishikawa, engenheiro japonês que o difundiu no controle da qualidade. É uma ferramenta comum na análise de não conformidades, reclamações e problemas de processo.

Quando usar o diagrama de Ishikawa

Para problemas simples, com causa evidente e linear, os 5 porquês sozinhos costumam bastar.

Os 6M

Na indústria, é comum dividir as causas em seis categorias, conhecidas como 6M:

CategoriaO que investigarPerguntas úteis
MétodoProcedimentos, instruções, sequência de trabalhoExiste instrução? Ela foi seguida? Está correta?
MáquinaEquipamentos, ferramentas, dispositivosA máquina estava regulada? A manutenção estava em dia?
Mão de obraPessoas, competência, carga de trabalhoQuem fez tinha treinamento? Houve troca de turno ou de pessoa?
MaterialMatéria-prima, insumos, componentesO lote era diferente? Mudou o fornecedor?
Meio ambienteTemperatura, umidade, iluminação, organizaçãoAs condições estavam diferentes no dia?
MediçãoInstrumentos, métodos de inspeção, critériosO instrumento estava calibrado? O critério de aceitação é claro?

Em serviços, algumas equipes trocam as categorias por outras que façam mais sentido, como sistema, política, comunicação ou cliente. Não há regra fixa. O importante é que as categorias ajudem a pensar em todas as frentes.

Como fazer o diagrama de Ishikawa, passo a passo

1. Defina o efeito com precisão

Escreva o problema na cabeça do peixe, de forma específica e mensurável. Em vez de qualidade ruim, escreva: descascamento da pintura em 4% das peças do lote 512. Um efeito vago gera causas vagas.

2. Reúna a equipe certa

Um grupo pequeno de pessoas que conheçam o processo: operador, líder, manutenção, qualidade. Quem executa sabe coisas que nenhum procedimento registra.

3. Desenhe a espinha

Uma linha horizontal até o efeito e seis espinhas, uma por categoria. Pode ser no quadro, em papel ou na ferramenta online de diagrama de Ishikawa, que monta os 6M no navegador e baixa em PNG ou PDF, sem cadastro.

4. Levante as causas possíveis

Para cada categoria, pergunte o que pode ter contribuído para o efeito. Anote tudo, sem discutir ainda. Uma causa por papel ou por linha.

5. Detalhe as subcausas

Para cada causa, pergunte por que ela acontece e anote a resposta como uma espinha menor. É aqui que o Ishikawa começa a se encontrar com os 5 porquês.

6. Escolha as causas mais prováveis

Com a equipe, marque as causas que têm mais chance de explicar o efeito. Use o que se sabe do processo: o que mudou quando o problema começou, onde ele aparece e onde não aparece, em qual turno, em qual máquina.

7. Confirme com dados

Causa provável não é causa confirmada. Verifique registros, faça medições, teste. Só depois disso a causa vai para o plano de ação.

8. Planeje as ações

Para cada causa confirmada, defina a ação, o responsável e o prazo, por exemplo em um plano de ação 5W2H.

Exemplo completo e ilustrativo: descascamento da pintura

Imagine uma fábrica fictícia de 50 funcionários que pinta estruturas metálicas com tinta em pó. Um cliente devolveu peças com a pintura descascando. Efeito: descascamento da pintura em 4% das peças do lote 512.

CategoriaCausas levantadas
MétodoTempo de desengraxe reduzido para aumentar a produção; instrução sem tempo mínimo de secagem antes da pintura
MáquinaEstufa de cura com resistência queimada em uma das zonas; pistola com bico desgastado
Mão de obraOperador novo no turno da noite; acúmulo de tarefas no pré-tratamento
MaterialNovo lote de tinta; concentração do banho de desengraxe fora da faixa
Meio ambienteUmidade alta na semana do lote; poeira na cabine
MediçãoTeste de aderência feito só uma vez por turno; temperatura da estufa sem registro

A equipe marcou três causas prováveis: banho de desengraxe fora da faixa, estufa com uma zona fria e novo lote de tinta. Depois verificou cada uma:

As causas confirmadas foram o banho e a estufa. Na sequência, a equipe aplicou os 5 porquês em cada uma para chegar à causa de sistema: a análise do banho não tinha frequência definida, e a estufa não estava no plano de manutenção preventiva nem tinha registro de temperatura. As ações atacaram esses pontos, e não só o conserto da resistência. Para ver o mesmo formato preenchido, abra o modelo de diagrama de Ishikawa.

Repare em duas coisas. Primeiro, o operador novo apareceu no diagrama, mas os dados não mostraram relação com o problema, então não virou ação. Segundo, a falta de registro de temperatura não causou o descascamento, mas explica por que ele não foi percebido antes. Esse tipo de causa de não detecção também merece ação.

Como conduzir a reunião de análise

Ishikawa e 5 porquês juntos

As duas ferramentas se completam. O Ishikawa abre o leque: mostra todas as frentes possíveis e evita fixar na primeira explicação. Os 5 porquês aprofundam: pegam uma causa e descem até a origem que pode ser eliminada. O fluxo mais prático é Ishikawa primeiro, verificação com dados e 5 porquês nas causas confirmadas. O passo a passo está no guia dos 5 porquês.

Ishikawa na ISO 9001 e na IATF 16949

A ISO 9001 não exige o diagrama de Ishikawa. Ela exige determinar as causas da não conformidade, como está na cláusula 10.2. O Ishikawa é uma forma clara de mostrar ao auditor como a causa foi encontrada. Na IATF 16949, a empresa precisa ter um processo documentado de solução de problemas, e o Ishikawa costuma fazer parte dele, junto com o relatório 8D.

No PrismaBiz, o diagrama de Ishikawa fica dentro do registro da não conformidade, ao lado das ações corretivas, o que mantém a análise e a ação no mesmo histórico.

O que o auditor costuma pedir

Erros comuns